universos que colidem #2


[Lykke Li] e [Bon Iver]


[Tom Zé] e [Mallu Magalhães]

Conto pós-digital


- Raphael Salimena

Estou pensando, por exemplo, em relatos sobre os modos de investigar que horas são. Julio Cortázar, em seu Preâmbulo às instruções para dar corda ao relógio, dizia que quando presenteiam você com um relógio não lhe dão “apenas esse pequeno picapedrero*  que você irá amarrar a seu pulso e levar para passear… Dão-lhe de presente um novo pedaço frágil e precário de você mesmo, algo que é seu mas não é seu corpo, que tem de ser amarrado a seu corpo como a pulseira, como um bracinho desesperado pendurando-se de seu pulso. Dão-lhe de presente a necessidade de dar-lhe corda todos os dias, a obrigação de dar-lhe corda para que continue sendo um relógio; dão-lhe de presente a obsessão de ficar atento à hora exata nas vitrines das joalherias, no anúncio do rádio, no serviço telefônico. Dão-lhe o medo de perdê-lo, de que seja roubado, de que caia no chão e se quebre. Dão-lhe de presente a marca, a certeza de que é uma marca melhor do que as
outras, dão-lhe de presente a tendência de comparar seu relógio com os demais relógios. Você não recebe de presente um relógio, você é o presente, você é que é ofertado para o aniversário do relógio

* Em espanhol, aquele que corta pedras batendo nelas com um instrumento contundente; alusão às batidas do tic-tac. (N.T.)

- Néstor García Canclini, em Leitores, espectadores e internautas

Canclini é muito ‘leitura obrigatoria’ para quem estuda comportamento e cultura, tanto do viver em comunidade quanto do reflexo deste comportamento em espaços virtuais.

Sobre relógios de pulso, adoro-os. E os uso de fato para ver as horas. O celular as vezes passa o dia todo esquecido debaixo do travesseiro e raramente o procuro para ver as horas.

Carta aberta para Fabíola Costa e Zaira Porto

Estava agora a pouco sentada no batente da janela, olhando pela janela do apê para ver se conseguia desligar um pouco a cabeça do dia fodido de hoje e percebi. O ruido que faziam chegou muito antes que as silhuetas delas descendo a rua.

Três meninas. Cadernos, jeans e moletons para proteger do frio. Deviam ter uns 14, 15 anos e por qualquer motivo besta desciam a rua rindo in-con-tro-la-da-men-te. Sabe aquelas risadas de gente que fica tentando rir e contar histórias no meio do riso e não conseguem falar as coisas direito nem ninguém entende o que elas dizem? Dessas, só que mais engraçado. Engraçado como adolescentes são.

Daí lembrei da gente. Das voltas para casa depois das aulas no CED02, das escapadas para sair a noite escondidas dos pais, dos primeiros namoricos vigiados umas pelas outras, das muitas e muitas voltas de bicicleta pelo Gama e das muitas risadas como estas que ainda estou ouvindo: de tirar o fôlego.

E a internet, mesmo com todas as benesses que reconheço nela, não me ajudou a encontrar vocês. Vai ver que eu não soube procurar. Vai ver que casaram e não usam o mesmo sobrenome. Ou pode ser que tenham seguido por caminhos totalmente diferentes dos meus e não se dão nem um pouco com a tecnologia.. Conheço gente incrível que só segura um email por motivos de força maior. Diane (minha caçula), por exemplo, abriu o Facebook mês passado.

Daí fica aqui. Pode ser que ficando aqui isso ajude vocês a me encontrarem.
Já me aconteceu antes.

navegação

“On a website, “navigation” doesn’t mean just links. Navigation is, like most elements of a website, about communicating with the user. Good navigation tells a story, and good stories have a beginning, middle, and end.

- A list apart

video hipster da minha semana: Future Islands - Before the Bridge


colocou a Lana Del Rey no chinelo.

// Future Island

os moleskines de herphany


_

herphany é também Stephane e tem 18 anos. Além de desenhar muito bem e ter um tumblr digno da sua pastinha ‘ler sempre’ no Greader, a gatinha ainda taguea todos os posts no tumblr per-fei-ta-men-te.
Pois sim, rola um deleite em perceber o senso de organização alheio ;]

mlt #3 - Visita a Escola Estadual Professor Antonio Alves Cruz


Desenvolver um projeto voltado a educação não é tarefa fácil. Envolve muita burocracia, as discussões acontecem depois de muito escalonamento, você dá com muita porta na cara e diversas tentativas de contato via telefone e email se perdem por……. descaso, julgo eu. Porém, num país onde a educação não é prioridade, situações assim são quase previsíveis.

O que não foi o caso da Escola Estadual Professor Antonio Alves Cruz, ou só ‘Alves Cruz’, como chamam seus alunos. Lembram do irmão que inspirou o projeto? Pois foi lá que ele estudou. Liguei usando do pretexto de que tinha documentos dele na escola que eu precisava buscar e, envolvendo um e outro funcionário consegui falar com o coordenador Franco, também professor de biologia. Descrevi a idéia, discutimos durante uma boa hora as possibilidades e então ele me apresentou o professor Wil - que não devo chamar de senhor (: - como o salvador da minha pátria.

Wil é professor de artes, já fez teatro, já educou dois filhos e mantem um perfil no Facebook onde troca idéias, compartilha referências e é tagueado em fotos dos alunos o tempo todo. No final das aulas costuma escrever no quadro seu email avisando que qualquer dúvida, só procurar. Wil está fora da curva, é evidente. Durante os dias em que caminhei com ele pelos corredores do colégio, vi abraços efusivos, pedidos de aulas, situações de ‘abafa o caso’ confiadas exclusivamente a ele e todo tipo de demonstração de carinho e confiança.

O objetivo da ida à escola nesta sexta-feira foi de análise etnográfica e pesquisa quantitativa. Tim Plowman descreve no livro Design Research que “um dos aspectos de nosso envolvimento com determinado artefato é através do uso. Don Norman tem escrito extensivamente sobre questões envolvendo produtos e usabilidade (1989). Outro aspecto intimamente relacionado ao uso é como os produtos são experimentados e interpretados (2003)” [livre tradução]. Por ora, me interessava que aquele contato fosse de observação e menor intervenção, o que nem sempre é possível quando se trata de propor ações com adolescentes.

Tinhamos combinado, o professor e eu, que a próxima aula seria sobre patrimônio e preservação. Ele pediu que os alunos fotografassem com celular livremente e escola e seus colegas e o material produzido devia ser passado para ele via bluetoot ou email, servindo de base para a discussão na aula seguinte àquela.

Com as duas turmas que aplicamos o exercício, dois métodos puderam ser experimentados: mapeamento de situações do cotidiano (Mobile System Mapping) e foto-novela (Photo Storytelling). A primeira turma explorou todos os ambientes possíveis, fotografando funcionários e áreas em obras. A turma seguinte se envolveu principalmente entre si e quando um deles resolver roubar uma rosa e fingir uma peça, percebemos que o método de foto-novela aconteceria sem maiores esforços.

-

No final de cada uma das aulas ofereci o questionário para que eles me entregasse no final da aula seguinte. Escolhi esse momento porque estaria mais íntima das turmas (depois de tanto subir e descer escadas fotografando com eles) e conseguiria um maior engajamento. Deu certo. Tive 50 questionários válidos que respondem  dúvidas que eu havia levantado na etapa anterior, como por exemplo:
- se eles acessam internet no celular;
- se trocam dados entre si (foto, audio e vídeo) e como;
- se o plano mais popular era pré ou pós pago e quem pagava a conta;
- o ponto de vista deles sobre a lei que restrigia o uso do celular na sala de aula;
E por vai..

Os próximos passos são decupar os dados da pesquisa quali para construir um infográfico e remodelar os métodos a partir da experiência daquele dia. Devo apresentar o resultado aos orientadores e também ao professor Wil com quem quero, se houver tempo, acompanhar na aula em que as fotos serão impressas e ele e os alunos darão continuidade ao trabalho da aula anterior.

P.S.: Todos os alunos autorizaram a publicação de suas fotos.
P.S.2: Todas as fotos são do celular, óbvio.

A propósito, você que está lendo isso agora conhece algum estudante secundarista? Compartilha minha pesquisa quanti com ele: http://goo.gl/v4h5s ;)

mlt #2 - antes da pesquisa de campo

Um mapeamento das poucas certezas e muitas dúvidas sobre meu projeto e quem seria meu público alvo antes das visitas à escolas.

[mlt] Teste de conhecimento

Tenho anotações sobre o tema espalhados pelos quatro cantos da casa, dentro de todas as bolsas, nas bordas de diversos livros e em incontáveis folhas impressas mas enquanto não estruturei o que eu tinha que fazer em estágios de atividades e cada atividade em pequenas missões diárias não respirei aliviada. Manias de AI, talvez.

mlt #1

Porque 1) é tarefa de chinês preso tentar usado o sistema de publicação de fotos do portal do instituto e; 2) qualquer usuário menos masoquista desiste depois da quarta tentativa, o desenvolvimento do TCC vem pro blog e “polue” este ambiente com posts completamente diferentes do que já foi postado antes.

No fim pode ser bom.
Quem sabe tomo vergonha na cara e começo a escrever mais sobre a área que trabalho.

Father John Misty #2

agora caiu a ficha de onde eu reconheço a Audrey Plaza..

Agora caiu a ficha de onde eu reconheço a Audrey Plaza e a barba do Josh Tillman..

sounds good do dia: Father John Misty


Não sei nada sobre esse cara ou banda. O vídeo caiu assim, aleatório na minha timeline do Vimeo. Mas puxa, como é bom.. Quem achar o CD pra download compartilha comigo?

deprê


Ilustra do Ian Caulkett para banda The Charlatans.

sobre aquele por do sol que não precisava ser fotografado

Sábado foi dia de sofrer na rua. Eu precisava de uma cadeira de trabalho nova porque a que tenho estava me causando sérios problemas nas costas. Com a proximidade da entrega do TCC e o aumento de horas na frente do computador, não dava mais para adiar.

O ’sofrer’ vem de duas situações aborrecidíssimas para mim:
- Detesto lugares fechados com muita gente. Fato que fim de janeiro, época de liquidações, as lojas estariam lotadas de gente se batendo com os carrinhos, andando naquele passo de lagartixa e brigando pela bandeja flexível cor tabaco. No meu mundo ideal todas as lojas abririam 24h e eu frequentaria elas depois da meia noite para evitar filas e multidões. Enquanto isso não acontece o jeito é me estabacar com todo mundo e sem fazer cara feia pra não ser destratada pela atendente.

- São Paulo não sabe que é verão e ainda não parou de fazer chover. Tem coisa mais mongol que sair pra rua num dia que a chuva te desafia a ficar em casa assistindo filme, quentinha debaixo de um edredon? Não tem. Eu, mongol, me empacotei e sai.

Fui em uma loja, depois outra, comparei preços, voltei pra uma e comprei a bendita cadeira, bem boa por sinal. No caminho de volta, o preto dirigindo e eu zoando antecipadamente a incapacidade dele montar aquela cadeira, comentei que a chuva sumiu magicamente e numa curva qualquer nos deparamos com um belíssimo fim de tarde paulista. O céu alaranjado, amarelo e rosa, muito rosa. Delirei. Na mesma hora puxei o celular e comecei a tentar focar o céu com o carro em movimento na tentativa de fotografar aquela maravilha e compartilhar no Twitter e Facebook. Tento, tento, quase peço pra parar o carro e nada. Não tinha filtro certo que entregasse a beleza daquele céu. Desisti usando uma frase do preto: “Essa fica pro HD da vida”.

Hoje o Lou me manda um texto excelente de quem passou por situação semelhante e deixou a ficha cair:

Last week, I drove to Pacifica, a beach community just south of San Francisco, where I climbed a large rocky hill as the sun descended on the horizon. It painted a typically astounding California sunset across the Pacific Ocean. What did I do next?

What any normal person would do in 2011: I pulled out my iPhone and began snapping pictures to share on Instagram, Facebook and Twitter.

I spent 10 minutes trying to compose the perfect shot, moving my phone from side to side, adjusting light settings and picking the perfect filter.

Then, I stopped. Here I was, watching this magnificent sunset, and all I could do is peer at it through a tiny four-inch screen.

“What’s wrong with me?” I thought. “I can’t seem to enjoy anything without trying to digitally capture it or spew it onto the Internet.”

[Nick Bilton - na Bits]

Pois é. O tempo perdido procurando o ângulo, foco e filtros perfeitos me fizerem perder minutos preciosos de um dia que foi inteirinho cansativo mas que de brinde me mostrou um belo por-do-sol.

Normalmente não compartilho muito do que me acontece com o mundo mas sei que perco algumas coisas tentando guardar nem que seja só para mim. Audio de conversas de bar com amigos, fotos de passeios e aquela leseira mor de tentar tuitar o comentário engraçado (alheio, claro).

Pensando bem, a gente não precisa disso, né? A foto/comentário vai ficar lá na timeline alheia por 5 segundos e depois some, engolida pelo mundo de outras informações, todas igualmente relevantes e passageiras. Daqui pra frente vou tentar registrar menos e vivênciar mais. Como antigamente, sabe? Quando não existiam tantos gadgets nos distraindo das boas experiências e convivência com outras pessoas.

P.S.: Mordi a língua. Acordei domingo de manhã e a cadeira estava montadinha, sem parafusos sobrando. Diz ele que foi fácil.. ;)

sobre música

Enquanto estudo ou trabalho preciso ouvir música. Me ajuda a concentrar.

Hoje abri o Itunes, busquei por ‘pla’, acionei o shuffle e agora estou ouvindo um loop maluco entre Placebo, Coldplay, Jefferson Airplane, Planet Hemp e outras esquizofrenices como Nirvana (on a plain), Radiohead (everything in its right place) e The Walkmen (dond está la playa).

Ah sim, aqui ainda se bloga.
Quando dá na teia, eu volto.

o herói de Miguel Endara

segundo Miguel Endara, foi desenhado com 3,2 milhões de pontos de tinta de caneta.

Um exercício lindo de paciência e técnica.
A música do vídeo é Noctuary, do Bonobo.
[shareado no facebook]