Liniers do dia:
Monthly Archive for January, 2009
via gtalk
Ele: na hora de dormir, por exemplo
Eu: o que tem?
Ele: é gostoso. frio, lençol, sono… é um conforto só. uma gostosura só
Eu: normalmente eu durmo bem. deito e durmo, pronto. Mas estes ultimos dias tem sido dificeis.. É como se eu deitasse na cama ansiosa.. a respiração não acompanha. Porém teve uma noite que eu fechei os olhos e comecei a conversar com a minha mãe. Falei: “mãe, eu sei que a senhora está dormindo e sonhando uma hora dessas. tá ocupada com outras coisas durante o seu sono, mas é que eu não consigo dormir.. dá pra senhora ficar aqui só um pouquinho?”
aí dormi
;}.
Aconteceu de verdade.
[esta sou eu. foto de @augustob]

Acreditem, é preciso uma técnica perfeita para um salto como este.
E eu a tenho.
Foto (e amor) da Katie.

Jesse - “Acho que escrever aquele livro foi como construir algo que me impedisse de esquecer o tempo de passamos juntos. Algo que me lembrasse que realmente estivemos juntos. Que foi verdade, que aconteceu mesmo.”
Celine - “Fico feliz que você diga isso, porque sempre sinto que sou anormal por não conseguir seguir em frente. As pessoas têm um caso, ou até relacionamentos, terminam e esquecem tudo. Mudam como trocam de marca de cereal. Sinto que não esqueço as pessoas com as quais estive porque cada uma tem qualidades específicas. Não dá para substituir ninguém.
O que foi perdido está perdido. Cada relacionamento que termina me magoa. Nunca me recupero. Por isso, tenho cuidado quando me envolvo com alguém, porque dói demais. Eu evito até transar porque vou sentir saudades de coisas mundanas daquela pessoa.
Tenho obsessão com pequenas coisas. Talvez eu seja louca, mas, quando eu era menina minha mãe me disse que eu sempre chegava atrasada à escola. Um dia, ela me seguiu para saber o motivo. Eu ficava vendo as castanhas caírem das árvores e rolarem na calçada ou as formigas atravessarem a rua ou a sombra de uma folha num tronco de árvore. Coisas pequenas. Acho que com gente é igual. Vejo pequenos detalhes específicos de cada coisa que me comovem e sinto saudades deles depois. Não se pode substituir ninguém porque todo mundo é uma soma de pequenos e belos detalhes. Lembro que a sua barba tem fios avermelhados e que o sol os fez brilhar naquela manhã, um pouco antes de você partir. Lembrei disso, e senti saudades.”
.
~trecho do filme Before Sunset
- Porque revi o filme neste fim de semana e senti saudades;
- Porque realmente sua barba tem fios de outras cores;
- e porque a trilha é excelente, ouça: A Waltz For A Night

… um ano incrível para mim.
Mas no começo admito que tinha poucas expectativas sobre ele. Durante todo o primeiro semestre trabalhei das 7h as 13hs em algo que não gostava, das 15hs as 18hs estagiava e em seguida assistia as aulas do último período do curso de Sistemas para Internet até as 22hs. A meia noite estava novamente na frente de um monitor, concluindo projetos acadêmicos e freelando até o corpo não aguentar mais ou amanhecer, o que viesse primeiro.
Naquela época eramos eu e Augusto para tudo. Morávamos juntos e ralávamos o diabos pra arrumar dinheiro para a faculdade e nos manter. Lembro que ele chegou a estagiar em quatro empresas diferentes pra gente dar conta do recado. Foi um período marcado por briguinhas bestas e muito vinho barato.
Em março decidi ir para São Paulo fazer um curso de Arquitetura da Informação. Naquela viagem conheci o lugar e as pessoas que mudaram tudo em mim (tá, eu sou exagerada). Voltei para Recife decidida a me mudar para Sampa assim que me formasse. Objetivo traçado, agora era correr atrás. Concluí o curso e projetos, montei portfolio e torci. Lembro que no momento em que disparei o último currículo para empresas de SP, por volta da 3 da matina, eu ainda não acreditava muito que as coisas poderiam acontecer. Então eu e Augusto fizemos uma brincadeirinha tipo “par-ou-ímpar” com os filmes que veríamos naquela noite (somos notívagos). O resultado apostava que alguém me ligaria em até 15 dias. Abrimos o vinho, assistimos o filme depois fomos dormir.
As 11hs da manhã do dia seguinte eu já tinha 4 entrevistas marcadas. No final da semana, 12. Uma semana depois desembarcava sozinha e insegura no aeroporto de Guarulhos, com duas malas pequenas nas mãos e todas as minhas economias no bolso. Desci do avião e fui engolida pelo caótico e incomparável cotidiano paulista, tendo que aprender rápido endereços e itinerários para chegar em lugares que nunca na vida tinha ouvido falar. Morei na casa de desconhecidos, passei quase um mês almoçando pão de queijo e suco de uva e pegando o caminho mais longo para chegar em casa. Mas certo como 2+2 são 4, eu faria tudo de novo.
Em sampa aprendi a viver uma vida em que é só eu e eu. Não tem outra pessoa para me ajudar a carregar as sacolas do supermercado, consertar a bendita janela do meu quarto que não para de gemer ou ser a companhia perfeita para os filmes que gosto. Os domingos parecem intermináveis e algumas pessoas superficiais demais. Ao mesmo tempo ganhei a vista nublada e repleta de prédios altos que eu sempre quis ter. As noites demoram mais a chegar e acabar, além de serem muito mais divertidas quando estou na companhia das pessoas certas. Ganhei também um pedaço de família que não conhecia e que garante meu equilíbrio. Com o tempo fui aprendendo a chegar onde queria e querer sempre chegar mais longe, mesmo me perdendo pelo caminho de vez em quando.
Quando 2008 acabou eu estava novamente na praia com meus pais e irmãos. Durante os fogos reparei nas mulheres de branco pulando ondinhas e jogando ramos de flores na água. Algumas crianças, aproveitando da distração dos pais, corriam ensandecidas com uma garrafa de champagne cidra nas mãos. Foi então que me lembrei de outros finais de ano e suas retrospectivas. Houve anos românticos, outros raivosos, alguns vazios. Houve aquele triste e repleto de lágrimas e um que foi bem solitário. 2008 tinha sido de longe o melhor, o mais intenso e o que me trouxe as maiores e melhores conquistas.
Foi nessa vibe que entrei em 2009 e dela ainda não sai.
Pretendo cultivá-la por um bom tempo, acreditando de verdade que este será um ano novo, melhorado e ainda incrível.
[título familiar, né @Lou? É que me deu preguiça.
]
Foto do R.motti


