Hoje o dia começou mal. Dormi pouco, acordei atrasada e com crise de rinite.
A faxineira chegou em seguida e atacou a pia suja com tanta determinação que temi pela integridade física da minha coleção de canecas. Corri com a troca dos panos pra cama, coloquei edredon pra lavar (minha máquina é tão valente!), dei as instruções pro resto da faxina e sai. Como não tinha tomado café e não almoçaria tão cedo resolvi parar na padaria e pedir uma vitamina. O rapaz que me atende é um doce, faz o dobro da quantidade certa. Agradeço o copo sorrindo e procuro os canudinhos. Um velhinho bem velhinho me oferece eles. Peguei um, disse “obrigada” e me virei pra TV (tava passando O Corcunda de Notredame da Disney. Adoro!).
- “Esses canudinhos são tão fraquinhos, né?” - diz o senhor.
- “É.. são mesmo” - respondo sei lá eu porque. Nem eram, mas eu sou simpática, acho. E era um senhor de idade.
- “Posso te dar um mais grosso pra você chupar, se quiser”
Te ju-ro!
No pico do meio-dia um senhor teve o disparate de me soltar uma dessas!
Fiquei completamente envergonhada, claro. Tive nem resposta. Levantei roxa de vergonha, pedi a comanda ou a morte, o que viesse primeiro, paguei e sai. Meio andando, meio correndo.
Não sei onde está o erro nessas horas. Sou eu que tenho pouca malícia e não sei quando as pessoas serão grosseiras ou são os velhinhos que não são mais aquelas criaturas meigas e cheias de boas histórias pra contar de antigamente?





