perdi o sono.
Era quase meia noite quando fui para cama, fracassada, depois de ter gasto as últimas duas horas derretendo o cérebro em busca de qualquer link que explicasse como reverter aquilo. Achei muita gente passando pelo mesmo problema, desistindo, sincronizando ou resetando. Resetar? Então é isso? Tudo está perdido? Mas os arquivos estão ali, eu tô vendo a barrinha amarela cheia, tem que ter como tirar!
Não tinha.
4G de música. Não é muita coisa, o ipod também não é. Foi presente de um ex-peguete e já era usado. Um dia reagi a um assalto por causa dele e a gente ficou amigo desde então. Mas isso não vem ao caso. O Ipod tá bem, a culpa é do Itunes.
No dia que perdi todas as músicas do meu ipod eu também chorei.
É patético, eu sei. Mas é música. A gente acha que não é muita coisa mas é. Deve existir alguma explicação cósmica e bonita para essa nossa ligação com música.. Eu não sei. Sei que as que estavam ali não eram trocadas ha muito tempo. Estou numa fase de ouvir sempre as mesmas e aquelas eram bem antigas. The Smiths, The Cure, Beatles, o primeiro do Gorillaz, Marina & The Diamonds para trabalhar, Lykke Li para andar sozinha, as playlists da última festa aqui em casa e outras soltas.
Mas tudo bem. Os CDs que estavam lá são o de menos. Alguns estão salvos no HD, outros em CDs de backups, a maioria se encontra facilmente para baixar. Vai dar um certo trabalho, mas recuperá-los é possível. Todo o chororô foi por causa de uma única playlist.
Jansen me fez a tal na primeira vez que fui assistir aula da pós em Curitiba e estabeleceu o hábito de me fazer uma lista todo mês, para cada uma das vezes que eu fui, desde 2009.
Aquela era especial porque foi a primeira e porque tinha as músicas que melhor combinavam com meu estado de espírito por estar viajando. Era enorme, como todas as playlists do preto são, e por ser assim, tão grande, tinha faixas que combinavam com o sono da ida e a cabeça cheia de idéias da volta. As vezes uma nova lista não me agradava muito e eu sempre voltava para aquela. Era também a playlist que eu ouvia quando estava sozinha em casa. Quem ouve música sozinho em casa sabe o que isso significa.
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Em algum ponto eu também desisti, resetei e assisti, sofrida, a barrinha amarela ficar menor até sumir. Ipod zerado. Aquelas músicas, naquela sequência, perdidas pra sempre.
Um outro dia pesquiso e escrevo sobre a relação de dependência que desenvolvemos por certos artefatos, como isso altera nossa percepção da realidade e outras coisas racionais relacionadas ao assunto. Hoje vou passar o dia navegando por entre as 730 páginas de faixas tocadas no meu Last.fm buscando aquelas que eu gostava.
Deprê, deprê..