Monthly Archive for January, 2012

deprê


Ilustra do Ian Caulkett para banda The Charlatans.

sobre aquele por do sol que não precisava ser fotografado

Sábado foi dia de sofrer na rua. Eu precisava de uma cadeira de trabalho nova porque a que tenho estava me causando sérios problemas nas costas. Com a proximidade da entrega do TCC e o aumento de horas na frente do computador, não dava mais para adiar.

O ’sofrer’ vem de duas situações aborrecidíssimas para mim:
- Detesto lugares fechados com muita gente. Fato que fim de janeiro, época de liquidações, as lojas estariam lotadas de gente se batendo com os carrinhos, andando naquele passo de lagartixa e brigando pela bandeja flexível cor tabaco. No meu mundo ideal todas as lojas abririam 24h e eu frequentaria elas depois da meia noite para evitar filas e multidões. Enquanto isso não acontece o jeito é me estabacar com todo mundo e sem fazer cara feia pra não ser destratada pela atendente.

- São Paulo não sabe que é verão e ainda não parou de fazer chover. Tem coisa mais mongol que sair pra rua num dia que a chuva te desafia a ficar em casa assistindo filme, quentinha debaixo de um edredon? Não tem. Eu, mongol, me empacotei e sai.

Fui em uma loja, depois outra, comparei preços, voltei pra uma e comprei a bendita cadeira, bem boa por sinal. No caminho de volta, o preto dirigindo e eu zoando antecipadamente a incapacidade dele montar aquela cadeira, comentei que a chuva sumiu magicamente e numa curva qualquer nos deparamos com um belíssimo fim de tarde paulista. O céu alaranjado, amarelo e rosa, muito rosa. Delirei. Na mesma hora puxei o celular e comecei a tentar focar o céu com o carro em movimento na tentativa de fotografar aquela maravilha e compartilhar no Twitter e Facebook. Tento, tento, quase peço pra parar o carro e nada. Não tinha filtro certo que entregasse a beleza daquele céu. Desisti usando uma frase do preto: “Essa fica pro HD da vida”.

Hoje o Lou me manda um texto excelente de quem passou por situação semelhante e deixou a ficha cair:

Last week, I drove to Pacifica, a beach community just south of San Francisco, where I climbed a large rocky hill as the sun descended on the horizon. It painted a typically astounding California sunset across the Pacific Ocean. What did I do next?

What any normal person would do in 2011: I pulled out my iPhone and began snapping pictures to share on Instagram, Facebook and Twitter.

I spent 10 minutes trying to compose the perfect shot, moving my phone from side to side, adjusting light settings and picking the perfect filter.

Then, I stopped. Here I was, watching this magnificent sunset, and all I could do is peer at it through a tiny four-inch screen.

“What’s wrong with me?” I thought. “I can’t seem to enjoy anything without trying to digitally capture it or spew it onto the Internet.”

[Nick Bilton - na Bits]

Pois é. O tempo perdido procurando o ângulo, foco e filtros perfeitos me fizerem perder minutos preciosos de um dia que foi inteirinho cansativo mas que de brinde me mostrou um belo por-do-sol.

Normalmente não compartilho muito do que me acontece com o mundo mas sei que perco algumas coisas tentando guardar nem que seja só para mim. Audio de conversas de bar com amigos, fotos de passeios e aquela leseira mor de tentar tuitar o comentário engraçado (alheio, claro).

Pensando bem, a gente não precisa disso, né? A foto/comentário vai ficar lá na timeline alheia por 5 segundos e depois some, engolida pelo mundo de outras informações, todas igualmente relevantes e passageiras. Daqui pra frente vou tentar registrar menos e vivênciar mais. Como antigamente, sabe? Quando não existiam tantos gadgets nos distraindo das boas experiências e convivência com outras pessoas.

P.S.: Mordi a língua. Acordei domingo de manhã e a cadeira estava montadinha, sem parafusos sobrando. Diz ele que foi fácil.. ;)

sobre música

Enquanto estudo ou trabalho preciso ouvir música. Me ajuda a concentrar.

Hoje abri o Itunes, busquei por ‘pla’, acionei o shuffle e agora estou ouvindo um loop maluco entre Placebo, Coldplay, Jefferson Airplane, Planet Hemp e outras esquizofrenices como Nirvana (on a plain), Radiohead (everything in its right place) e The Walkmen (dond está la playa).

Ah sim, aqui ainda se bloga.
Quando dá na teia, eu volto.