Sábado foi dia de sofrer na rua. Eu precisava de uma cadeira de trabalho nova porque a que tenho estava me causando sérios problemas nas costas. Com a proximidade da entrega do TCC e o aumento de horas na frente do computador, não dava mais para adiar.
O ’sofrer’ vem de duas situações aborrecidíssimas para mim:
- Detesto lugares fechados com muita gente. Fato que fim de janeiro, época de liquidações, as lojas estariam lotadas de gente se batendo com os carrinhos, andando naquele passo de lagartixa e brigando pela bandeja flexível cor tabaco. No meu mundo ideal todas as lojas abririam 24h e eu frequentaria elas depois da meia noite para evitar filas e multidões. Enquanto isso não acontece o jeito é me estabacar com todo mundo e sem fazer cara feia pra não ser destratada pela atendente.
- São Paulo não sabe que é verão e ainda não parou de fazer chover. Tem coisa mais mongol que sair pra rua num dia que a chuva te desafia a ficar em casa assistindo filme, quentinha debaixo de um edredon? Não tem. Eu, mongol, me empacotei e sai.
Fui em uma loja, depois outra, comparei preços, voltei pra uma e comprei a bendita cadeira, bem boa por sinal. No caminho de volta, o preto dirigindo e eu zoando antecipadamente a incapacidade dele montar aquela cadeira, comentei que a chuva sumiu magicamente e numa curva qualquer nos deparamos com um belíssimo fim de tarde paulista. O céu alaranjado, amarelo e rosa, muito rosa. Delirei. Na mesma hora puxei o celular e comecei a tentar focar o céu com o carro em movimento na tentativa de fotografar aquela maravilha e compartilhar no Twitter e Facebook. Tento, tento, quase peço pra parar o carro e nada. Não tinha filtro certo que entregasse a beleza daquele céu. Desisti usando uma frase do preto: “Essa fica pro HD da vida”.
Hoje o Lou me manda um texto excelente de quem passou por situação semelhante e deixou a ficha cair:
Last week, I drove to Pacifica, a beach community just south of San Francisco, where I climbed a large rocky hill as the sun descended on the horizon. It painted a typically astounding California sunset across the Pacific Ocean. What did I do next?
What any normal person would do in 2011: I pulled out my iPhone and began snapping pictures to share on Instagram, Facebook and Twitter.
I spent 10 minutes trying to compose the perfect shot, moving my phone from side to side, adjusting light settings and picking the perfect filter.
Then, I stopped. Here I was, watching this magnificent sunset, and all I could do is peer at it through a tiny four-inch screen.
“What’s wrong with me?” I thought. “I can’t seem to enjoy anything without trying to digitally capture it or spew it onto the Internet.”
Pois é. O tempo perdido procurando o ângulo, foco e filtros perfeitos me fizerem perder minutos preciosos de um dia que foi inteirinho cansativo mas que de brinde me mostrou um belo por-do-sol.
Normalmente não compartilho muito do que me acontece com o mundo mas sei que perco algumas coisas tentando guardar nem que seja só para mim. Audio de conversas de bar com amigos, fotos de passeios e aquela leseira mor de tentar tuitar o comentário engraçado (alheio, claro).
Pensando bem, a gente não precisa disso, né? A foto/comentário vai ficar lá na timeline alheia por 5 segundos e depois some, engolida pelo mundo de outras informações, todas igualmente relevantes e passageiras. Daqui pra frente vou tentar registrar menos e vivênciar mais. Como antigamente, sabe? Quando não existiam tantos gadgets nos distraindo das boas experiências e convivência com outras pessoas.
P.S.: Mordi a língua. Acordei domingo de manhã e a cadeira estava montadinha, sem parafusos sobrando. Diz ele que foi fácil.. ![]()
0 Responses to “sobre aquele por do sol que não precisava ser fotografado”
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