Agora caiu a ficha de onde eu reconheço a Audrey Plaza e a barba do Josh Tillman..
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Sábado foi dia de sofrer na rua. Eu precisava de uma cadeira de trabalho nova porque a que tenho estava me causando sérios problemas nas costas. Com a proximidade da entrega do TCC e o aumento de horas na frente do computador, não dava mais para adiar.
O ’sofrer’ vem de duas situações aborrecidíssimas para mim:
- Detesto lugares fechados com muita gente. Fato que fim de janeiro, época de liquidações, as lojas estariam lotadas de gente se batendo com os carrinhos, andando naquele passo de lagartixa e brigando pela bandeja flexível cor tabaco. No meu mundo ideal todas as lojas abririam 24h e eu frequentaria elas depois da meia noite para evitar filas e multidões. Enquanto isso não acontece o jeito é me estabacar com todo mundo e sem fazer cara feia pra não ser destratada pela atendente.
- São Paulo não sabe que é verão e ainda não parou de fazer chover. Tem coisa mais mongol que sair pra rua num dia que a chuva te desafia a ficar em casa assistindo filme, quentinha debaixo de um edredon? Não tem. Eu, mongol, me empacotei e sai.
Fui em uma loja, depois outra, comparei preços, voltei pra uma e comprei a bendita cadeira, bem boa por sinal. No caminho de volta, o preto dirigindo e eu zoando antecipadamente a incapacidade dele montar aquela cadeira, comentei que a chuva sumiu magicamente e numa curva qualquer nos deparamos com um belíssimo fim de tarde paulista. O céu alaranjado, amarelo e rosa, muito rosa. Delirei. Na mesma hora puxei o celular e comecei a tentar focar o céu com o carro em movimento na tentativa de fotografar aquela maravilha e compartilhar no Twitter e Facebook. Tento, tento, quase peço pra parar o carro e nada. Não tinha filtro certo que entregasse a beleza daquele céu. Desisti usando uma frase do preto: “Essa fica pro HD da vida”.
Hoje o Lou me manda um texto excelente de quem passou por situação semelhante e deixou a ficha cair:
Last week, I drove to Pacifica, a beach community just south of San Francisco, where I climbed a large rocky hill as the sun descended on the horizon. It painted a typically astounding California sunset across the Pacific Ocean. What did I do next?
What any normal person would do in 2011: I pulled out my iPhone and began snapping pictures to share on Instagram, Facebook and Twitter.
I spent 10 minutes trying to compose the perfect shot, moving my phone from side to side, adjusting light settings and picking the perfect filter.
Then, I stopped. Here I was, watching this magnificent sunset, and all I could do is peer at it through a tiny four-inch screen.
“What’s wrong with me?” I thought. “I can’t seem to enjoy anything without trying to digitally capture it or spew it onto the Internet.”
Pois é. O tempo perdido procurando o ângulo, foco e filtros perfeitos me fizerem perder minutos preciosos de um dia que foi inteirinho cansativo mas que de brinde me mostrou um belo por-do-sol.
Normalmente não compartilho muito do que me acontece com o mundo mas sei que perco algumas coisas tentando guardar nem que seja só para mim. Audio de conversas de bar com amigos, fotos de passeios e aquela leseira mor de tentar tuitar o comentário engraçado (alheio, claro).
Pensando bem, a gente não precisa disso, né? A foto/comentário vai ficar lá na timeline alheia por 5 segundos e depois some, engolida pelo mundo de outras informações, todas igualmente relevantes e passageiras. Daqui pra frente vou tentar registrar menos e vivênciar mais. Como antigamente, sabe? Quando não existiam tantos gadgets nos distraindo das boas experiências e convivência com outras pessoas.
P.S.: Mordi a língua. Acordei domingo de manhã e a cadeira estava montadinha, sem parafusos sobrando. Diz ele que foi fácil.. ![]()
perdi o sono.
Era quase meia noite quando fui para cama, fracassada, depois de ter gasto as últimas duas horas derretendo o cérebro em busca de qualquer link que explicasse como reverter aquilo. Achei muita gente passando pelo mesmo problema, desistindo, sincronizando ou resetando. Resetar? Então é isso? Tudo está perdido? Mas os arquivos estão ali, eu tô vendo a barrinha amarela cheia, tem que ter como tirar!
Não tinha.
4G de música. Não é muita coisa, o ipod também não é. Foi presente de um ex-peguete e já era usado. Um dia reagi a um assalto por causa dele e a gente ficou amigo desde então. Mas isso não vem ao caso. O Ipod tá bem, a culpa é do Itunes.
No dia que perdi todas as músicas do meu ipod eu também chorei.
É patético, eu sei. Mas é música. A gente acha que não é muita coisa mas é. Deve existir alguma explicação cósmica e bonita para essa nossa ligação com música.. Eu não sei. Sei que as que estavam ali não eram trocadas ha muito tempo. Estou numa fase de ouvir sempre as mesmas e aquelas eram bem antigas. The Smiths, The Cure, Beatles, o primeiro do Gorillaz, Marina & The Diamonds para trabalhar, Lykke Li para andar sozinha, as playlists da última festa aqui em casa e outras soltas.
Mas tudo bem. Os CDs que estavam lá são o de menos. Alguns estão salvos no HD, outros em CDs de backups, a maioria se encontra facilmente para baixar. Vai dar um certo trabalho, mas recuperá-los é possível. Todo o chororô foi por causa de uma única playlist.
Jansen me fez a tal na primeira vez que fui assistir aula da pós em Curitiba e estabeleceu o hábito de me fazer uma lista todo mês, para cada uma das vezes que eu fui, desde 2009.
Aquela era especial porque foi a primeira e porque tinha as músicas que melhor combinavam com meu estado de espírito por estar viajando. Era enorme, como todas as playlists do preto são, e por ser assim, tão grande, tinha faixas que combinavam com o sono da ida e a cabeça cheia de idéias da volta. As vezes uma nova lista não me agradava muito e eu sempre voltava para aquela. Era também a playlist que eu ouvia quando estava sozinha em casa. Quem ouve música sozinho em casa sabe o que isso significa.
.
Em algum ponto eu também desisti, resetei e assisti, sofrida, a barrinha amarela ficar menor até sumir. Ipod zerado. Aquelas músicas, naquela sequência, perdidas pra sempre.
Um outro dia pesquiso e escrevo sobre a relação de dependência que desenvolvemos por certos artefatos, como isso altera nossa percepção da realidade e outras coisas racionais relacionadas ao assunto. Hoje vou passar o dia navegando por entre as 730 páginas de faixas tocadas no meu Last.fm buscando aquelas que eu gostava.
Deprê, deprê..
Não importa a lista que eu faça, Pedro Jansen sempre traz mais uma lata de extrato de tomate do supermercado. E não, nessa casa ninguém faz tanto macarrão ou cachorro-quente. Nada justifica. Ele só acha que tem que trazer e traz.
Tô jogando fora os vencidos, amor ;*
Tudo começou assim: depois de um dia do cão, daqueles que chego em casa emputecida nas calças com os problemas do trabalho, o corpo que reage mal a medicação, trânsito, dor de cabeça e tpm. Jansoir, dono de um bom humor imbatível e paciência infinita, quando me viu não pestanejou. Enquanto eu tirava os sapatos no quarto ele encheu a banheira d’água, colocou sais e espuma, apagou todas as luzes da casa, acendeu trocentas velas no banheiro e me esperou lá dentro. Em dias assim não há cu doce que resista. Fui, claro.
Desta vez não dividimos o banho. Ele encheu uma taça de vinho, me ofereceu um cigarro e puxou meu pé para uma massagem. Ficamos quietos um tempão, só ouvindo música e a vida da rua entrando pela janela. Quando a assunto surgiu foi o mais descabido possível: “Vamos fazer uma festa?”
- comemorar o que, nega?
- sei lá, preto. Comemorar o verão, amor no coração (tô falando isso desde que 2011 começou).
- é né? Comemorar tudo. Os amigos, o calor, uma boa cerveja. Bora fazer uma festa!
Não pensamos em lista, mas decidimos que quem viesse teria que trazer mais alguém. A pegada era conhecer mais gente. Gente estranha, diferente, gente que a gente nunca tivesse falado.
- Vamos convidar a Juliana Cunha?
- Menina, ela nem conhece a gente. Nunca nos falamos que não fosse trabalho.
- E daí? A gente super se amarra nos textos dela. Bora chamar sim.
Chamamos, claro. A bichinha é que não pode vir, mas avisou depois. AMO quem avisa que vem ou que não vem. Eu fico sempre esperando resposta.
E foi assim que aconteceu:

As pessoas foram chegando..

Não me dignei nem a por um chinelo nos pés..

Apareceram uns gringos que até agora não sei quem levou..

E amigos infinitamente fofos.

Gente que a gente não via há quase 1 ano.

Todo mundo muito bebinho e feliz.

Inclusive o queridón!
Foi uma festa deliciosa, quente, cheia de boas conversas, gente sorrindo, aprontando nos quartos e nos banheiros. Teve comidinhas mexicanas, drinks do Adriano (que eu só chamo de @limareis) e o recorde de 5 caidos de bêbados. A festa foi tão sucesso que combinamos de fazer outra ainda esse ano.
Te convido.
~ todas as fotos estão do FB do Jansão.

Post é “antigo” [conceito estranho para internet..] mas como acabei de achar, compartilho: referências lindas para lenços nos cabelos.
Verão chegando, aquele calor no pescoço, a feirinha da Benedito Calixto bem alí com tantas opções, por que não?
~ tag descaradamente surrupiada da queridona @ladyrasta.
D. Rachel Juraski [amo esse nome!] e D. Marina Santa Helena me convidaram para o tal meme das nove coisas e eu, que falo pelos cotovelos, super topei. Então lá vão nove coisas que talvez vocês não saibam a meu respeito:
1- Amo viajar de carro. Quando criança esse era o programa de todas as férias. Papai enchia o carro de guloseimas, um garrafão d’agua e fitas cassetes com as músicas mais incríveis e minha mãe trazia almofadas, gibis da turma da mônica, palavras-cruzadas e uma olympus trip 35 [camera desejo-de-consumo-master da minha vida]. No banco de trás eu e 3 irmãos aprendíamos a revesar revistas, lidar com o aperto, dormir um por cima dos outros e principalmente, NUNCA empurrar os joelhos nas costas dos bancos da frente. Para mim, essas viagens foram determinantes para construir o tipo de relação que eu tenho com meus irmãos e até hoje quando pego estrada para pós-graduação em Curitiba lembro muito deles e daquele tempo juntos.
2- Meu primeiro auto-boicote aconteceu aos 12 anos. Detestava educação física a ponto de ter ficado de recuperação na matéria desde a 6ª série até o primeiro ano do segundo grau. Deu-se, porém, que papai não quis mais bancar minha preguicite aguda e me forçou a escolher uma atividade. Achando que a vida é mesmo um mar de rosas - e jurando que as amigas se matriculariam comigo - fui pra natação.
Primeira aula, sozinha (claro que as infelizes não foram), todo mundo de bóia batendo perninha para ver quem atravessava a piscina. Cheguei em último na primeira volta, na segunda mal saí da beirada e o povo já voltava. Na terceira perdi a paciência, fingi uma câimbra e pedi para ir para casa. Durante meses saia todas as terças e quintas no horário na natação e enrolava no shopping perto do sesc até o dia que meu pai descobriu. Resultado: uma bronca daquelas e nada de saber nadar até hoje.
3- Nasci em Cuiabá, Mato Grosso. Talvez essa seja a coisa que menos pessoas sabem, mas a verdade é meu coração todinho e 80% do sotaque que me resta é de Recife, mas eu não sou de lá. Sou cuiabana, morei 10 anos em Brasília, 8 anos em Recife a agora é São Paulo quem me adota.
4- Comecei a trabalhar com 17 anos. Meu primeiro emprego foi como balconista de uma confeitaria na asa norte. A primeira compra com o primeiro salário - 170 reais, vejam que fortuna - foi o CD acústico da Alanis Morrisette. Embalei para presente, claro.
5- Nunca brigo de cabeça quente. Nunca. Levo a discussão até o ponto onde percebo que se passar dali o caminho não tem mais volta, então calo a boca. Pode espernear, quebrar pratos, xingar a mãe, ameaçar ir embora. Ficarei quietinha, sairei de perto e a gente vai retomar aquela conversa numa outra hora. Acontece que há muito tempo descobri que sou uma pessoinha muito cruel quando estou magoada. Falo coisas horríveis e manipulo qualquer fato a meu favor. Alguns diriam que é um dom, eu considero a bad karma.
6- Um dia fui “punk-cor-de-rosa”. Com essa definição tentem imaginar uma guria branquela, de cabelos vermelhos, roupas pretas e coturnos em pleno calor escaldante de Recife. Curtia bandas como Linkin park, Limp bizkit e Evanescence. Dava trabalho para os pais, bebia muito vinho barato e passava madrugadas vagando pelas ruas do Recife Antigo fazendo nada que preste. Aí chegou Augusto e me colocou nos eixos.
7- Sou totalmente autoritária, mandona, organizada e controladora em casa. Quando não consigo o que quero - como a iluminação perfeita para os dias de festa ou todas as panelas de alumínio perfeitamente brilhantes - fico chata, fecho a cara e começo a tomar a frente sem pedir mais ajuda. O dengo dura 2 minutos, mas sei que até passar meus meninos sofrem para deixar as coisas do jeito que eu gosto.
8- Não sei dirigir e só aprenderei quando for inevitável. Nasci para ser passageira.
9- Lembro de todos os primeiros beijos em todas as pessoas que um dia beijei. Lembro do lugar, do jeito, do sabor, da música, da roupa que usávamos, do cheiro, da malícia ou falta dela, do estado de espírito, se nos gostávamos ou só estávamos ali, enfim. Lembro-me sabe-se lá por quoi. Elabore você umas teorias.
Gostaria que quem passa por aqui respondesse. Meme tem que seguir adiante, ‘visse’?! ![]()
Se algum dia você tiver pneumonia estafilocócica, saiba:
- nem toda pneumonia apresenta os sintomas clássicos: tosse de cachorro louco, dores no peito e febre. A minha foi diagnosticada a partir de uma dor de cabeça e falta de ar. Fique ligado em pequenos sinais de problemas respiratórios.
- você precisará ficar internado. Não tem como fugir disso (eu tentei). E se você tiver menos de 30 anos e a coisa atacar os dois pulmões pode se preparar para pelo menos uma semana de molho.
- é preciso fazer coleta de sangue diariamente para medir a oxigenação. Coleta de sangue venoso é moleza. É a mesma que você faz em qualquer pronto socorro. Tudo bem que o braço fica roxo e totalmente sensível, mas você vai aguentar. A coleta arterial é que são outros quinhentos.. A artéria a gente não vê, só sente pela pressão. Então o procedimento consiste basicamente em: 1) enfiar uma agulha grossa no teu pulso, 2) procurar às cegas a tal artéria pulsante e 3) então sugar. Isso pode levar um tempinho e dói como os diabos! Pode chorar que ninguém vai achar exagero.
- de 3 em 3 dias, é preciso trocar o acesso. Acesso é a agulha no braço por onde você receberá a medicação. Se for atendido por uma boa equipe médica eles estarão ligados nas datas de troca, caso contrário cuide você de contar os dias. O acesso quando fica muito tempo força a veia e ela inflama, fazendo a agulha escapar e o remédio vazar sob a pele. Isso vai arder e doer imediatamente e teu braço fica vermelho, inchado e dolorido por dias. Experiência própria.
- a vida no hospital começa cedo. 6 da matina tu nem acordou e já tem nego enfiando agulha com antibiótico no teu braço, às 7h aparece um enfermeiro para verificar teus sinais vitais, Às 8h já é o café da manhã, então nem enrole. Levante, troque o pijama, lave a cara e encare essa vida besta porque tu não vai conseguir dormir até tarde.
- o período de internação é tedioso, mas também pode ser muito saudável. Pela primeira vez em anos fiz as 5 refeições diárias (café da manhã, almoço, lanche da tarde, jantar e ceia), me exercitei todos os dias (fisioterapia respiratória e caminhadas), dormi e acordei cedo. Aquela coisa, sabe? É ruim mas é bom.
- faça amizade com as enfermeiras, médicos, técnicos, as mocinhas da limpeza e das refeições . Você vai precisar que sejam gentis na hora das coletas, ao te levarem pros exames, trazerem um porção extra de sobremesa e que te ajudem a passar por isso. Ser indiferente ou agir como se eles apenas te prestassem um serviço - além de não ser legal - é como um tiro no pé.
Hoje é meu sétimo dia de internação. Previsão de alta: 18/08.
Esse tipo de pneumonia, quando em pessoas jovens é muito mais grave e difícil de tratar do que em idosos, me explicou o médico (aquele fofo!).
Como a coisa começou tão banal resolvi tratar em casa (com maracugina, pensando ser uma crise de stress. Avalie!) e adiei uma semana a vinda para o hospital. E teria adiado outra, caso não tivesse sido forçada a aparecer no trabalho e lá o pessoal perceber que eu estava nas últimas. E então podia ser tarde demais.
Para mim, estar aqui hoje é como um puxão de orelha.
Quando eu era criança, bastava espirrar 3 vezes seguidas que mamãe já vinha com a mão na testa para ver se estava quente e dava uns gritos pra que eu calçasse os chinelos. Chás eram bebidos forçadamente (”se fosse bom não era remédio”, ela dizia) e as doenças eram tratadas pelo médico de confiança da família.
Hoje a gente vai embromando, adiando, enchendo a cara de comprimidos e fingindo que aquela dor é só uma dorzinha, o enjôo é um mal-estar passageiro. “É só um pulo na padaria, não precisa de agasalho”, “tudo bem andar descalço, não dá em nada”.
A gente sai da casa dos pais e assume toda uma nova vida e suas responsabilidades. Damos conta do nosso trabalho, das contas no final do mês, escolhemos nossos amigos, decidimos o que comer e o que vestir. Basicamente substituimos a tomada de decisão deles pelas nossas, avaliando sozinhos o que tem que ser feito. Nessa de assumir o mundo, esquecemos que decidimos também pelo nosso corpo.
Nesses dias e nessas muitas horas livres para pensar cheguei a conclusão de sou um tanto inresponsável com esse corpinho roliço e branquelo. Menosprezo problemas sérios e adio coisas que, fossem trabalho ou cuidados com os outros, eu não desprezaria.
Sugiro que de vez em quando você olhe pro teu umbigo, mas não no sentido figurado.
E se cuida.
~ foto da hello bum.
“Mas calma. Não se desespere. Vai ser uma merda, mas vai ser divertido pra cacete também. Vai ser difícil, mas valerá a pena. A vida de adulto é um saco, mas é sensacional. Porque, no final das contas, é sim uma aventura. Crescer dói e não é fácil. Mas quem disse que não pode ser legal assim também?”
[texto: tio louba]
Hoje o dia começou mal. Dormi pouco, acordei atrasada e com crise de rinite.
A faxineira chegou em seguida e atacou a pia suja com tanta determinação que temi pela integridade física da minha coleção de canecas. Corri com a troca dos panos pra cama, coloquei edredon pra lavar (minha máquina é tão valente!), dei as instruções pro resto da faxina e sai. Como não tinha tomado café e não almoçaria tão cedo resolvi parar na padaria e pedir uma vitamina. O rapaz que me atende é um doce, faz o dobro da quantidade certa. Agradeço o copo sorrindo e procuro os canudinhos. Um velhinho bem velhinho me oferece eles. Peguei um, disse “obrigada” e me virei pra TV (tava passando O Corcunda de Notredame da Disney. Adoro!).
- “Esses canudinhos são tão fraquinhos, né?” - diz o senhor.
- “É.. são mesmo” - respondo sei lá eu porque. Nem eram, mas eu sou simpática, acho. E era um senhor de idade.
- “Posso te dar um mais grosso pra você chupar, se quiser”
Te ju-ro!
No pico do meio-dia um senhor teve o disparate de me soltar uma dessas!
Fiquei completamente envergonhada, claro. Tive nem resposta. Levantei roxa de vergonha, pedi a comanda ou a morte, o que viesse primeiro, paguei e sai. Meio andando, meio correndo.
Não sei onde está o erro nessas horas. Sou eu que tenho pouca malícia e não sei quando as pessoas serão grosseiras ou são os velhinhos que não são mais aquelas criaturas meigas e cheias de boas histórias pra contar de antigamente?
A notícia:
Italiano é preso por beijar a filha na boca em barraca de praia no CE
Em resposta:

[irmão caçula Renan]

[irmão caçula Renan]
Culturas diferentes devem ser respeitadas, eu entendo.
Mas numa época onde o pornográfico/erótico/agressivo invade nossas vidas por todos os buracos acho que intimidades como essas, entre pais e filhos, deveria ser o menor dos nossos problemas.
Quando criança meus pais davam banho em mim e meus irmãos (duas meninas e um garoto) todos juntos, que era pra ‘economizar água’. Vez ou outra eles também entravam na festa, para nosso delírio completo pois sabíamos que por isso poderíamos ficar mais tempo no chuveiro [vocês talvez não saibam, mas ficar debaixo d'agua numa cidade quente como Cuiabá-MT é uma bênção!].
Em casa até hoje é regra deixar a porta do banheiro aberta e não importa quem esteja dentro, se você quiser entrar para pegar alguma coisa, dividir a ducha ou só conversar será benvindo.

[sobrinha safadinha]
Cresci sem tabus ou preconceitos quanto ao corpo e intimidades e vejo minhas sobrinhas seguirem os mesmos passos. Para elas é comum o pai, avô ou tios darem banho, trocarem suas roupas, beijarem nos lábios ou qualquer que seja a intimidade natural entre parentes tão próximos. Vejo nisso um laço tranquilo e equilibrado, uma demonstração de carinho e confiança, tudo na medida que meus pais julgaram certo nos dar. E eles sabiam o que estavam fazendo.
Mas só parei pra pensar sobre o assunto depois que li o post da Ana Cereza, irmã do meu namorado. Vou me inspirar num techo para finalizar o meu: Para mim é normal, natural e acho certo. Meus filhos terão selinhos meus. E ai do pai deles se eu pegar fazendo diferente.
tenho roupas pra lavar, tenho que comprar pedra de amolar, tenho que arrumar os fios da sala, tenho que comprar um estabilizador, tenho que concluir os exercicios da pós, tenho que reservar o hotel em Curitiba, tenho que receber um amigo de Teresina, tenho que levar o edredon pra lavanderia, tenho que agendar a retirada da cama quebrada, tenho que chamar o encanador pra desentupir o tanque, tenho que pagar a internet, tenho que ligar pra claro e mudar o endereço de cobrança, tenho que fazer compras da semana, tenho que responder o email sobre aquele freela, tenho que terminar de ler mais um livro sobre arquitetura da informação, tenho que mandar lavar o sofá, tenho que descobrir onde castram gatos de graça, tenho que cancelar a internet 3G, tenho que visitar minha tia em Guarulhos, tenho que comprar uma cama nova, tenho que marcar dentista e oftomologista, tenho que mandar um tênis pro meu irmão em Recife, tenho que assinar procuração pra Augusto, tenho que encaminhar as fotos da casa para minha irmã, tenho que passar roupas, tenho que lavar o all star branco..
tenho tanta, tanta coisa pra fazer.
Quarto de hotel, cama dura, lençol fino e a cidade mais fria que já visitei. Segundo deus, a temperatura lá fora é de 7ºC e estou esperando dar meia noite pra postar pra você.
- Você, que até os 7 anos dividiu uma cama comigo e me fazia inventar estórias pra te fazer dormir (lembra aquela da vaca?);
- Você, que ouviu horrorizada a pior versão de Pequena Sereia que já escreveram e teve pesadelos com isso, porque me chutou a noite toda;
- Você, que nas explosões de humor uma vez quebrou a porta da área de ventilação e fez todo mundo levar bronca por isso;
- E que não parava de dizer “boa noite” até que um de nós te respondesse e isso podia levar hoooras a fio;
- Você, que aos onze teve coragem de colocar laranjas num sutiã enorme, lambuzar o rosto todo de batom vermelho, calçar saltos e ir pra esquina tentar roubar beijos de quem passasse;
- Você, que tem medo de miado de gato no cio;
- Você, que um dia foi a morte;
- Você, que aos 17 colocou todo nosso amor a prova trazendo uma nova vida ao mundo;
- Você, minha última briga de verdade e que rendeu uma visita ao hospital depois da troca de tapas;
Você birrenta, você dramática, você brilhante, você mãe, você “caçula das meninas”.
Você, a irmã que mais brincou de casinha comigo.
Hoje brincamos de casinha em cidades distantes, mas ainda achamos a coincidência de você ter nascido um dia antes do meu aniversário a coisa mais fabulosa do mundo.
Um dia você falou que era meu presente.
Hoje sei que és também meu passado e uma das certezas do meu futuro.
Te amo, palito.
Feliz aniversário.
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Originalmente escrito no dia 11/07.
Peguei no sono assistindo Shrek e não postei no dia.
Foi mals ae, Di!
Trecho do email que recebi da minha irmã mais velha essa tarde:
…. Mas eu também ganhei um presente. Vou te contar como foi.
Ontem quando cheguei em casa, medrosa pra caramba (ultimamente to muuuiito medrosa), sozinha, porque o marido tinha ido trabalhar de taxi. Era como se eu já esperasse algo errado, desci do carro pra abrir o portão correndo, deixei o carro trancado, abri o portão, liguei o carro de novo e entrei.. na hora que fui fechar o portão, passa um cara de bicicleta e gelei de alma.. sentia cheiro de assalto. Mas tinha acontecido antes… não sei quanto antes e o infeliz deixou pra pegar na bolsa que ele roubou, o que interessava em frente de casa. Fiquei espiando pelo portão, vendo ele tirar tudo, fuçar em todos os bolsos e ele tava assustado feito bicho. Todo farol de carro ele levantava olhando desconfiado pra todo lado.
Liguei na hora pra policia, com o coração disparado rezando pra alguém aparecer logo e levar o infeliz. Mas claro que isso não aconteceu. Ninguém apareceu. Daí esperei ele ir embora e fui catar tudo que ele não levou.. inclusive um talão de tickets de refeição inteirinho..
Acho que levou só o celular e dinheiro. Catei do meio da rua e da calçada uma porção de coisas dela. Um bloco de anotações, um kit de maquiagem, um guarda-chuva, a carteira com documentos e cartões, papeis, uma sacola da C&A com uma calça que ela tinha comprado no mesmo dia. Chaves, contas pagas. Um bloco de rifas pra formatura do final do ano. No bloco de notas ela escreveu por algum motivo seus principais medos e pesares… ser assaltada e sofrer alguma perda material ou sentimental…parece que previa algo.
Levei tudo pra dentro de casa e fiquei tentando encontrar qualquer contato. Liguei pra faculdade dela e a pessoa que atendeu disse que tentaria contato com ela. Detalhe, pelo celular. Infeliz. Falei que ela tinha sido assaltada. Tinha também um crucifixo e uma imagem de Jesus.. Nem sou muito religiosa, mas achei comovente no que abri a carteira dei de cara com aquela fotinha me olhando.
Depois lembrei do talão. Tinha o nome da empresa e a empresa tem um site. Albalab. Liguei e foi o gerente dela que atendeu. Era quase 20hs. Pedi pra entrar em contato com ela, mas ele disse que não tinha outro contato. Então o jeito era esperar. Falei que deixaria a bolsa pela manhã e foi o que fiz. Deixei a bolsa e ela já me atendeu com um mega sorriso. Olhou pras coisas sem acreditar.. Perdeu o celular e R$5 reais.
Me deu um abraço sincero e disse que não sabia como agradecer. Falei que não tinha feito nada demais.
Era umas 13 horas, eu tava almoçando e o celular tocou. Era do Disque-mensagens. Uma mensagem agradecendo pelo que eu tinha feito por ela num momento muito difícil que ela se lembraria sempre de mim.
Foi o presente que ganhei.
Um dia me sentido leve por saber que dessa vez a maldade não prevaleceu..
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Fiquei emo.
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