animação linda de Wolfram Kampffmeyer e Sascha Geddert.
adoro mensagens subliminares em curtas. ![]()
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Sábado assisti a pré-estréia do filme XXY, da cineasta argentina Lúcia Puenzo, que foi indicado ao oscar de melhor filme estrangeiro e recebeu o prêmio da semana da críticas em Cannes.
O filme conta a história de Alex - nascida entre os dois sexos, mas criada pelos pais como mulher - a partir do momento em que ela decide deixar de lutar contra a evolução natural do corpo e traços masculinos vão aparecendo, e como sua família e o mundo convivem com o fato de que não há nada que se possa fazer a respeito.
Para mim Alex é mulher do início ao fim do filme, mesmo tendo quebrado o nariz do melhor amigo numa briga e outras cositas más (que não vou contar pra não estragar a surpresa). Ela é forte diante da fragilidade da sua situação, decidida de seus desejos sexuais, cheia de charme para conseguir o que quer e incrivelmente capaz de render amores apesar de todas as diferenças. Se estas não são características pra lá de femininas, eu também devo estar no corpo errado.
Mas preciso alerta-los de que é um filme de meio de estória. Daqueles que o primeiro diálogo não te diz nada e o último não te avisa que acabou, sabe? Filmes “de meio” são os meus prediletos. Gosto da sensação de ter entrado na metade da sessão e sair de lá carregando aquele pedaço de coisa sem desfecho, tentando adivinhar o que pode ter acontecido com os personagens depois que as luzes acenderam. Filmes como este me fazem companhia até eu adormecer.
Sábado passado assisti 4 meses, 3 semanas e 2 dias, filme do romeno Cristian Mungiu quem vinha sendo muito bem recomendado desde que levou a Palma de Ouro no ano passado.
Fui na sessão de arte do Cinema da Fundação de Recife. O bom destas sessões é que elas são sempre mais tarde da noite e por isso acaba atraindo um público menor, deixando a sala mais aconchegante e silenciosa. Bem, a sensação de “aconchego” já havia me abandonado completamente em menos de 20min de filme.
4meses… conta a história de duas universitárias que dividem o dormitório numa pequena cidade da Romênia. O filme parecia querer falar sobre Gabita (Laura Vasiliu), pálida e inerte, preocupada com os exames da segunda feira e com o que os próximos 2 dias lhe reservaria, mas logo percebemos que a câmera acompanha mesmo é Otília (Anamaria Marinca), que é daquelas jovens que andam sozinhas pela cidade, decididas e destemidas mesmo com o mundo se desfazendo sob seus pés.
O filme incomoda, e muito. Incomodam os diálogos cruéis, as atitudes ásperas, a estagnação insuperável de Gabita e até a corajosa amizade de Otília. Incomoda principalmente por mostrar a nós mesmos em um filme onde não queremos encontrar auto-identificação. São medos, sobressaltos, dores e perdas que chegam com força, mas que ficam são estrangulados, sufocados por um olhar perdido dentro do silêncio do quarto, do ônibus ou banheiro, tal qual a gente tão comumente faz.
Não tem começo e não tem fim. Eu assisti a 113 minutos do meio de uma história perturbadora sabendo que sairia da sala do cinema carregando aquelas impressões comigo. Antes de dormir me flagrei olhando pro teto pensando o quão complicado poderia ser o cotidiano de quem vive dentro de uma sociedade que ainda sofre os transtornos de um regime comunista, onde comprar um sabonete, cigarros ou anticoncepcionais parecem obstáculos intransponíveis.
Aquelas pessoas com poder de serem tão egoístas e perversas, ou tão fortes e solidárias me acompanharam durante vários dias. Eu não sei se é o tipo de filme que se indica. Eu vi e gostei mas não convidaria qualquer um a me acompanhar. Pelo menos não aqueles que não possuem paladar e estômago para filmes absolutamente indigestos.
E para matar (ou atiçar) a curiosidade, o trailer:

Heath Ledger, ator de performaces intensas em filmes como Candy e Brokeback Mountain e atualmente no papel que valeria uma vida, o Coringa em The Dark knight (ainda não lançado aqui no Brasil), foi encontrado morto num apartamento em NYC. Sozinho, nu e cheio de tranquilizantes, nenhuma nota de despedida ou sinal de violência. Talvez por isso ainda se especulem se foi suicídio ou overdose pura e simplesmente.
Eu sinto muitíssimo, realmente. Não só pela morte de um cara de 28 anos ainda, marido e pai. Ou pela perda de um ator em ascensão, no seu melhor momento de carreira, na sua melhor forma. Sinto pela perda em si. Pela ida de alguém que eu admirava e que fará falta ao cinema.
É isso.
links já atualizados
imdb: http://www.imdb.com/name/nm0005132/bio
wiki: http://en.wikipedia.org/wiki/Heath_Ledger
fonte: The New York Times


