Archive for the 'etc..' Category

Conto pós-digital


- Raphael Salimena

Estou pensando, por exemplo, em relatos sobre os modos de investigar que horas são. Julio Cortázar, em seu Preâmbulo às instruções para dar corda ao relógio, dizia que quando presenteiam você com um relógio não lhe dão “apenas esse pequeno picapedrero*  que você irá amarrar a seu pulso e levar para passear… Dão-lhe de presente um novo pedaço frágil e precário de você mesmo, algo que é seu mas não é seu corpo, que tem de ser amarrado a seu corpo como a pulseira, como um bracinho desesperado pendurando-se de seu pulso. Dão-lhe de presente a necessidade de dar-lhe corda todos os dias, a obrigação de dar-lhe corda para que continue sendo um relógio; dão-lhe de presente a obsessão de ficar atento à hora exata nas vitrines das joalherias, no anúncio do rádio, no serviço telefônico. Dão-lhe o medo de perdê-lo, de que seja roubado, de que caia no chão e se quebre. Dão-lhe de presente a marca, a certeza de que é uma marca melhor do que as
outras, dão-lhe de presente a tendência de comparar seu relógio com os demais relógios. Você não recebe de presente um relógio, você é o presente, você é que é ofertado para o aniversário do relógio

* Em espanhol, aquele que corta pedras batendo nelas com um instrumento contundente; alusão às batidas do tic-tac. (N.T.)

- Néstor García Canclini, em Leitores, espectadores e internautas

Canclini é muito ‘leitura obrigatoria’ para quem estuda comportamento e cultura, tanto do viver em comunidade quanto do reflexo deste comportamento em espaços virtuais.

Sobre relógios de pulso, adoro-os. E os uso de fato para ver as horas. O celular as vezes passa o dia todo esquecido debaixo do travesseiro e raramente o procuro para ver as horas.

Father John Misty #2

agora caiu a ficha de onde eu reconheço a Audrey Plaza..

Agora caiu a ficha de onde eu reconheço a Audrey Plaza e a barba do Josh Tillman..

sounds good do dia: Father John Misty


Não sei nada sobre esse cara ou banda. O vídeo caiu assim, aleatório na minha timeline do Vimeo. Mas puxa, como é bom.. Quem achar o CD pra download compartilha comigo?

deprê


Ilustra do Ian Caulkett para banda The Charlatans.

sobre música

Enquanto estudo ou trabalho preciso ouvir música. Me ajuda a concentrar.

Hoje abri o Itunes, busquei por ‘pla’, acionei o shuffle e agora estou ouvindo um loop maluco entre Placebo, Coldplay, Jefferson Airplane, Planet Hemp e outras esquizofrenices como Nirvana (on a plain), Radiohead (everything in its right place) e The Walkmen (dond está la playa).

Ah sim, aqui ainda se bloga.
Quando dá na teia, eu volto.

perfil


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o perfeccionismo de Hiroyuki Izutsu.

quando eu perdi todas as músicas do meu ipod eu..

perdi o sono.

Era quase meia noite quando fui para cama, fracassada, depois de ter gasto as últimas duas horas derretendo o cérebro em busca de qualquer link que explicasse como reverter aquilo. Achei muita gente passando pelo mesmo problema, desistindo, sincronizando ou resetando. Resetar? Então é isso? Tudo está perdido? Mas os arquivos estão ali, eu tô vendo a barrinha amarela cheia, tem que ter como tirar!

Não tinha.

4G de música. Não é muita coisa, o ipod também não é. Foi presente de um ex-peguete e já era usado. Um dia reagi a um assalto por causa dele e a gente ficou amigo desde então. Mas isso não vem ao caso. O Ipod tá bem, a culpa é do Itunes.

No dia que perdi todas as músicas do meu ipod eu também chorei.

É patético, eu sei. Mas é música. A gente acha que não é muita coisa mas é. Deve existir alguma explicação cósmica e bonita para essa nossa ligação com música.. Eu não sei. Sei que as que estavam ali não eram trocadas ha muito tempo. Estou numa fase de ouvir sempre as mesmas e aquelas eram bem antigas. The Smiths, The Cure, Beatles, o primeiro do Gorillaz, Marina & The Diamonds para trabalhar, Lykke Li para andar sozinha, as playlists da última festa aqui em casa e outras soltas.

Mas tudo bem. Os CDs que estavam lá são o de menos. Alguns estão salvos no HD, outros em CDs de backups, a maioria se encontra facilmente para baixar. Vai dar um certo trabalho, mas recuperá-los é possível. Todo o chororô foi por causa de uma única playlist.

Jansen me fez a tal na primeira vez que fui assistir aula da pós em Curitiba e estabeleceu o hábito de me fazer uma lista todo mês, para cada uma das vezes que eu fui, desde 2009.

Aquela era especial porque foi a primeira e porque tinha as músicas que melhor combinavam com meu estado de espírito por estar viajando. Era enorme, como todas as playlists do preto são, e por ser assim, tão grande, tinha faixas que combinavam com o sono da ida e a cabeça cheia de idéias da volta. As vezes uma nova lista não me agradava muito e eu sempre voltava para aquela. Era também a playlist que eu ouvia quando estava sozinha em casa. Quem ouve música sozinho em casa sabe o que isso significa.
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Em algum ponto eu também desisti, resetei e assisti, sofrida, a barrinha amarela ficar menor até sumir. Ipod zerado. Aquelas músicas, naquela sequência, perdidas pra sempre.

Um outro dia pesquiso e escrevo sobre a relação de dependência que desenvolvemos por certos artefatos, como isso altera nossa percepção da realidade e outras coisas racionais relacionadas ao assunto. Hoje vou passar o dia navegando por entre as 730 páginas de faixas tocadas no meu Last.fm buscando aquelas que eu gostava.

Deprê, deprê..

falo ou não falo?

Não sei o que é melhor, se as tiras do Marco:

Ou os comentários que fazem em algumas delas. Transcrevo:

Anônimo disse…

Notei que em suas tiras, piadas com pênis são recorrentes. Por quê essa fixação com pintos? Seria para causar impacto? Seria um tipo de humor que ninguém ousou fazer até agora? Ou apenas uma obsessão doentia?

E o autor ainda responde! ;P
Assinem o feed, vá. Sem arrependimentos.

a softer world do dia

bem ‘cantada de pedreiro’, né? ;)

bêbo num sabe tirar foto

A frufru postou fotos lindas do carnaval dela no rio de janeiro.
Se você é amigo dela no Facebook e ainda não viu, corre lá.

lovely

Isto não é um gif, mas exatamente uma foto em movimento. Brincos e sombras se movem sem evidenciar a repetição, modelo estática, iluminação perfeita, trabalho excelente.
Vi no Glamourai.

cabelo ótimo

Foi a Nana quem me apresentou o conceito de cabelo ótimo. Ela conhece ‘o melhor cabelo da Bahia’ - que quer que isso signifique - e tem uma profunda e incrível explicação sobre os efeitos de um cabelo ótimo em um relacionamento. Coisa digna.

Cabelo ótimo para mim são cacheados assim. Saca só Susan Sarandon ruiva!
[do filme: The Witches of Eastwick]

[do dia] blog

Entrei no blog e de cara me identifiquei com a primeira, a segunda, a terceira tirinha e cinco minutos depois estava apaixonada.
O blog é da Lívia, uma ilustradora inspiradíssima que resolveu expor de maneira super bem humorada todo o universo de “restrições”, confusões e tabaquices de nós, meninas. Muito bom!
Indicação da Micha.

camiseta do dia

Vi no tumblr da Juliana Cunha.

feito pinto no lixo

ou pelo menos vou tentar bastante..

A ilustra está a venda no etsy da Shelli Dorfe, que aliás tem outras coisas bem queridas.