Archive for the 'trechos inesquecíveis' Category

juras

“Aqui há paz
Aqui há paz e alegria
Antes que voce perceba
Que não deu, não deu, não deu
Esse mundo não é meu
Vou voltar a procurar
Onde possa te encontrar

Aqui é festa amor
E há tristeza em minha vida
Aqui é festa amor
E há tristeza em minha vida

Não há mistério algum
Tu pode me esquecer
Pra ver, tu pode até fingir que não me viu

Aqui é festa amor
E há tristeza em minha vida
Aqui é festa amor
E há tristeza em minha vida

Jurei pro amor um dia te encontrar”

ouça: Filha - Otto

término de relacionamento dolorido esse do Otto, né?
=/

todas as maneiras

[para que me conheça]

I love you without knowing how, or when, or from where,
I love you straightforwardly without complexities or pride:
So I love you because I know no other way.

[e que me entendas]

Te amo sem saber como, nem quando, nem onde.
Te amo diretamente sem problemas nem orgulho:
Assim te amo porque não sei amar de outra maneira.

[para te conquistar]

Te amo sin saber cómo, ni cuándo, ni de dónde,
Te amo directamente sin problemas ni orgullo:
Así te amo porque no sé amar de otra manera.

[e seduzir]

Je t’aime sans savoir comment, ni quand, ni d’où,
Je t’aime directement sans problèmes ni orgueil;
Je t’aime ainsi car je ne sais aimer autrement.

[e mesmo brigando]

Dich liebe ich ohne zu wissen, wie noch wann oder woher,
Dich lieb ich unmittelbar, problemlos, ohne Stolz:
Ich liebe dich so, weil ich anders zu lieben nicht verstehe.

[te amo]

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~trecho do 17º poema do livro “Cem Sonetos de Amor”, de Pablo Neruda;
- as delicadas mãos de Federico Erra;
- e Sigur Ròs.

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Update:

Durante um almoço, eu e minha prima discutíamos porque algumas línguas parecem ter surgido predestinadas a serem usadas durante a conquista, o sexo ou mesmo em brigas. A lembrança desta conversa, somada ao livro na cabeceira da cama, a música certa e uma taça de vinho nas mãos fez nascer o post. Eu sei o que parece, mas não é.

little things

Jesse - “Acho que escrever aquele livro foi como construir algo que me impedisse de esquecer o tempo de passamos juntos. Algo que me lembrasse que realmente estivemos juntos. Que foi verdade, que aconteceu mesmo.”

Celine - “Fico feliz que você diga isso, porque sempre sinto que sou anormal por não conseguir seguir em frente. As pessoas têm um caso, ou até relacionamentos, terminam e esquecem tudo. Mudam como trocam de marca de cereal. Sinto que não esqueço as pessoas com as quais estive porque cada uma tem qualidades específicas. Não dá para substituir ninguém.

O que foi perdido está perdido. Cada relacionamento que termina me magoa. Nunca me recupero. Por isso, tenho cuidado quando me envolvo com alguém, porque dói demais. Eu evito até transar porque vou sentir saudades de coisas mundanas daquela pessoa.
Tenho obsessão com pequenas coisas. Talvez eu seja louca, mas, quando eu era menina minha mãe me disse que eu sempre chegava atrasada à escola. Um dia, ela me seguiu para saber o motivo. Eu ficava vendo as castanhas caírem das árvores e rolarem na calçada ou as formigas atravessarem a rua ou a sombra de uma folha num tronco de árvore. Coisas pequenas. Acho que com gente é igual. Vejo pequenos detalhes específicos de cada coisa que me comovem e sinto saudades deles depois. Não se pode substituir ninguém porque todo mundo é uma soma de pequenos e belos detalhes. Lembro que a sua barba tem fios avermelhados e que o sol os fez brilhar naquela manhã, um pouco antes de você partir. Lembrei disso, e senti saudades.”

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~trecho do filme Before Sunset
- Porque revi o filme neste fim de semana e senti saudades;
- Porque realmente sua barba tem fios de outras cores;
- e porque a trilha é excelente, ouça: A Waltz For A Night

deixe-me

“Eu vou porque a tua beleza descortina a minha imensa feiúra. Eu vou porque teu perfume me enfeitiça docilmente. Porque ainda existe algum sentido em mim antes do afogamento. Porque outras mulheres e outros homens eu quero amar. Porque por outros homens e outras mulheres eu quero ser amado. Porque o amor não se basta. Porque só o amor não é o bastante. Porque você nunca achou que fosse amor. Porque eu nunca soube amar.”

~trecho do texto “Speechless“, de Egídio La Pasta Jr.
(Não hesite. Leia todo.)

Hoje recebi por email a melhor dica da semana, quiçá do mês: um dos posts do Egídio La Pasta Jr. na Revista Paradoxo.

Sabe aquela coisa de ler um texto que só poderia ser escrito se o cara conhecesse sua história? Pois então. Li e imediatamente senti os pêlos da nuca se eriçarem e o coração sufocar de medo. Toda a concentração no que eu estava fazendo desapareceu. Eu só conseguia ler e reler tentando encontrar por trás daquelas palavras algum amigo muito íntimo brincando com um pseudónimo que eu desconhecia. Quem sabe..

Não era. Busquei mais e caí no texto que cito o trecho, e depois outros, e depois o blog e então foi orgásmico.
Quem conhecê-lo pode avisar que eu caso, viu?! A menos, claro, que ele já seja casado, então eu passo. Não gosto dessas folias.

book meme

“Vou profundamente, como sempre”

do livro ~Entrevistas - Clarice Lispector.

  1. Pega no livro mais próximo.
  2. Abre na página 56.
  3. Procura a quinta frase.
  4. Coloca um post no teu blog com o texto e seguido destas instruções.
  5. Não escolhas o teu livro favorito, o mais cool ou o mais intelectual: apenas o mais PRÓXIMO.

Meme proposto por Ivo Gomes. Gostei e já repassei.

Trazendo o contexto, este livro descreve entrevistas que Clarice Lispector fez com diversas personalidades brasileiras. A 5ª frase da 56ª página trouxe parte da resposta de Millôr a pergunta de Clarice, que foi:
Como vai você, Millôr, profundamente falando?”
Vou profundamente, como sempre. Não sei viver de outro modo. Pago o preço.” - ele responde.

Eu também, Millôr. Eu também..

Foto da romantica Megan McIsaac.

ninguém

- Sabe a garota do copo d’água?
- Sei.
- Se parece distante talvez seja porque está pensando em alguém.
- Em alguém do quadro?
- Não. Um garoto com quem cruzou em algum lugar e sentiu que eram parecidos.
- Em outros termos: prefere imaginar uma relação com alguém ausente a criar laços com os que estão presentes.
- Ao contrário. Talvez tente arrumar a bagunça da vida dos outros.
- E ela? E a bagunça na vida dela? Quem vai pôr ordem?

~trecho do filme Le Fabuleux destin d’Amélie Poulain
Quadro “Almoço dos remadores”, de Renoir, 1881

at my skin

- Jamie loves you. You have so much!
- I know! I see it all around me, but it stops at my skin. I can’t let it inside. It’s always been like that. It’s always gonna be like that…

~trecho do filme Shortbus.
O filme inteiro é uma bosta! Não recomendo de jeito nenhum. Este foi o único trecho de que gostei. Identificação, talvez…

{the book thief}

“Doido ou não, Rudy sempre esteve destinado a ser o melhor amigo de Liesel. Uma bolada de neve na cara é, com certeza, o começo perfeito de uma amizade duradoura.
Dias depois do início das aulas, Liesel começou a ir à escola com os Steiner. A mãe de Rudy, Barbara, o fez prometer andar junto com a menina nova, principalmente por ter ouvido falar da bolada de neve. A favor de Rudy, verdade seja dita, ele ficou feliz em obedecer. Não tinha nada daquele tipo de garotinho misógino. Gostava muito de meninas e gostava de Liesel (daí a bolada de neve). Na verdade, Rudy Steiner era um daqueles cretininhos audaciosos que gostam de se engraçar com as mocinhas. Toda infância parece ter exatamente um desses jovens em seu meio e suas brumas. É o garoto que se recusa a temer o sexo oposto, puramente porque todos os outros abraçam esse medo, e é o tipo que não teme tomar decisões. Nesse caro, Rudy já se decidira a respeito de Liesel Meminger.”

~trecho de A Menina que Roubava Livros - Markus Zusak,p. 47.

Observações pertinentes:
- O livro é contado pela Morte (sem spoilers. Está na contracapa) e ela tem um “quê” da personalidade da Morte, de Neil Gaiman. Adorei ter percebido isso.
- Minha infância teve um desses meninos tempestivos. Entrou na minha vida quando eu tinha 9 anos e nunca mais saiu. Durante anos consegui escapar entre seus dedos e hoje somos várias coisas, além de amigos.
- É o típico livro que de tão interessante me rouba as poucas horas de sono que disponho. Tudo bem. São livros como este que alimentam esta categoria.

Enzo Rubino conseguiu capturar tanto êxtase juvenil nesta foto…

coffee and cream

He was my cream, and I was his coffee - And when you poured us together, it was something..

~trecho da biografia de Josephine Baker

beleza pelo engano

Franz comentou: - (…) A beleza de Nova Iorque tem uma origem completamente diferente. É uma beleza involuntária. Nasceu sem que houvesse intenção por parte do homem, um pouco como uma gruta de estalactites. As formas, feitas em si mesmas, se encontram por acaso, sem nenhum plano, em improváveis vizinhanças onde brilham de repente numa poesia mágica.

Sabina disse: - A beleza involuntária. É isso mesmo. Poder-se-ia dizer também: a beleza pelo engano. Antes de desaparecer totalmente o mundo, a beleza existirá ainda por alguns instantes, mas por engano. A beleza por engano é o último estágio da história da beleza.

Pensava em seu primeiro quadro de sucesso: por engano, havia escorrido sobre ele um pouco de tinta. É, seus quadros eram feitos com a beleza do erro e Nova Iorque era a pátria secreta e verdadeira de sua pintura.

~trecho do livro A Insustentável Leveza do Ser - Milan Kundera, p. 107.

Esse trecho me lembrou outra coisa: há algum tempo atrás, eu e Augusto pintávamos camisetas durante horas num quartinho quente e apertado no quintal de casa. Numa noite qualquer, em véspera de uma exposição que participaríamos, esbarramos sem querer o corpo sujo de tinta numa camiseta pronta. Na mesma hora pensamos: “F*deu! Perdemos a camiseta”. Então, num estalo, surgiu a idéia de respingar mais tinta daquela mesma cor na camiseta, dando um ar de “ah, essa mancha está aí de propósito. Somos artistas“. Fizemos isso em todas, deixamos secando no varal, desligamos a luz e no dia seguinte levamos para exposição.
Resultado: naquele dia Bethânia foi nosso maior sucesso de vendas. ;)

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Esse post inaugura uma nova categoria, inspirada por um post da Liv Brandão, que por sua vez foi inspirado pelo blog de Bruno Galera: Trechos Sublinhados. Percebi que eu, assim como eles, também já destaquei muitas páginas, parágrafos e frases soltas que por qualquer motivo tenham me emprestado significado naquele momento da leitura. Interessante que o fenômeno não se restringe somente aos livros, mas também a filmes, letras de músicas e até diálogos despretensiosos pelos IM da vida.

Então a partir de hoje essas “pérolas” ficam armazenadas na categoria “trechos inesquecíveis“, já que minha cabecinha não consegue comportar todas elas sem considerável perda de conteúdo.

Foto do genial Ricardo.