Tag Archive for 'trechos inesquecíveis'

amnésico

“A arte de terminar uma história de amor é guardar para si os momentos mundanos e transformá-los em gloriosos. Assim, podemos ter renovada a esperança do romance para os que virão e nos tornarmos repletos de querer bem a quem nos quis bem um dia”

~ Zander mata a pau. Admiro muito! [Continue lendo]
~ Foto tristezinha: Suzana M.

nessa vida a gente tem que ser esperta..

“Eu quase nunca tenho um motivo bom para sorrir que não seja quando o Etevaldo aparece na porta de casa, de banho tomado e cara lavada, e boca cheirando a pasta de dente, me chamando pra brincar na pracinha em frente de casa. Essa mulher não é minha mãe, a minha mãe morreu e me deixou um apelido secreto, só meu e dela e uma fita verde de por no cabelo. “Pros dias especiais, minha filha”, então quando o Etevaldo vem eu ponho a fita e eu vejo pelo olho dele que ele acha bonito. Essa mulher ai sente inveja da minha mãe, eu sei, por isso que ela é tão zangada comigo. Mas meu pai esqueceu minha mãe e gosta dela e eu sou só uma criança, então eu não posso fazer nada a não ser chorar à noite ou sorrir bastante quando o Etevaldo aparece aqui. Acho que da próxima vez que eu precisar ir na padaria comprar o pão do café da tarde eu vou dar um jeito de pegar umas moedas pra mim então eu vou apostar com o Etevaldo uma corrida boba e perder e ai dar as moedas pra ele e sugerir como quem não quer nada pra gente ir tomar um sorvete. Ai eu sei que ele vai me pagar esse sorvete e eu venço essa besteira dele de achar que eu não posso pagar nada, nem um bombom nem uma maria-mole ou um quindim. Nessa vida a gente tem que ser esperta, senão vem uma velha dessas e nem deixa a gente tomar sorvete.”

~ dos amores possíveis de Pedro Jansen (aka queridón) [continue lendo]
~ e a fadinha de Matt Caplin.

ela gosta de gostar

“Ela era feliz a doidado. Seus vestidos, floridos, soltos, seu sorriso, bonito, seu corpo, lindo como poucos, seu desejo, excessivo, tenso, tesão intenso, ela queria sempre, sempre, queria amar todos os homens, gostava de homem, gostava de tudo neles, de quase tudo, gosta ainda: de barba, do cheiro, de ombros largos, gosta de peito com pêlos, de pernas longas, gosta de alisar, esfregar, arranhar, lamber e beijar. Gosta de gostar, porque muitas delas se atrapalham, com medo de se entregar. Mas ela, não. Adora se dar, adora se excitar e excitar.

Com o cara 1, ela foi pra cama no primeiro dia. Ele se jogou, ela lhe beijou, ele tirou a camisa, ela tirou seu vestido, ele olhou seu corpo, que lindo, disse, e ela adorou o elogio, tira tudo, ele disse, ela adiou, ficou de calcinha e sutiã, mas mergulhou nele, pegou nele, que lindo, ela disse, como ele é lindo, repetiu, examinou, tocou, beijou, chupou, e o cara disse, tira tudo, ela, calma, esfregou-se, amassou, rolou, subiu, tira tudo, calma, chupou, lambeu, apertou, tira, tá, ela tirou, e se comeram, trocaram tudo, totalmente.

Mas ele não ligou depois. Nem depois. Nenhum e-mail. Sumiu. Nunca mais ouviu falar dele. Que pena. Era o pau mais bonito da cidade. Que droga! O que fiz de errado dessa vez?”

_

~ crônica de Marcelo Rubens [continue lendo]
~ foto de Rengim Mutevellioglu. [btw, todo o ensaio deste link vale a pena. Delicinha de verão]

e de tão puro se faz lindo

“.. porque o que tem me encantado no trabalho das pessoas que admiro é essa ‘cara de si’ que elas estampam naquilo que fazem, tendo no trabalho a expressão de si mesmo, de forma fiel, sincera e simples; que não se trai, não se afasta, mas aproxima o artista de sua obra, de si. Nos aproxima.”

concordo demais, Alisson.

~ texto e foto de Alisson Louback [continue lendo]
~ dica do primo coruja dele.

em busca do guarda-sol verde-limão

“Para acabar com o egoísmo”. Esta foi a razão de Marcelo Teixeira ter criado o melhor bar do mundo. Sua porta é um guarda-sol fincado na praia. Quando está aberto, o bar também está. Você pode subir os degraus de cimento, espremidos pelo mato que escorre da floresta ao lado. Antes que você canse, a escada acaba. Chegamos.

A vista é mentirosa. Por entre as folhas, você avista uma praia deserta que na verdade está pontilhada de gente. Mas do bar, a praia é sempre deserta. Vemos as ondas lambendo a areia como se a bajulasse em troca de pegadas ou palitos de picolé. Nada. Da sua mesa no bar, você só vê as ilhas ao longe, o mar tranquilo e uma praia exatamente como era em 1500. Você está no melhor bar do mundo, todas as mesas têm a melhor vista.”

- texto de

ah, as mentiras que nos contam..

“Mas calma. Não se desespere. Vai ser uma merda, mas vai ser divertido pra cacete também. Vai ser difícil, mas valerá a pena. A vida de adulto é um saco, mas é sensacional. Porque, no final das contas, é sim uma aventura. Crescer dói e não é fácil. Mas quem disse que não pode ser legal assim também?”

[texto: tio louba]

dias claros

“Você iria combater meu impulso suicida contra o nosso amor. Não sei se você chegou a descobrir isso ainda, mas não é que o amor simplesmente acabe. O amor é morto em dias claros como esse.”

[foto: .ultraviollet]
[texto: JP Cuenca]

juras

“Aqui há paz
Aqui há paz e alegria
Antes que voce perceba
Que não deu, não deu, não deu
Esse mundo não é meu
Vou voltar a procurar
Onde possa te encontrar

Aqui é festa amor
E há tristeza em minha vida
Aqui é festa amor
E há tristeza em minha vida

Não há mistério algum
Tu pode me esquecer
Pra ver, tu pode até fingir que não me viu

Aqui é festa amor
E há tristeza em minha vida
Aqui é festa amor
E há tristeza em minha vida

Jurei pro amor um dia te encontrar”

ouça: Filha - Otto

término de relacionamento dolorido esse do Otto, né?
=/

todas as maneiras

[para que me conheça]

I love you without knowing how, or when, or from where,
I love you straightforwardly without complexities or pride:
So I love you because I know no other way.

[e que me entendas]

Te amo sem saber como, nem quando, nem onde.
Te amo diretamente sem problemas nem orgulho:
Assim te amo porque não sei amar de outra maneira.

[para te conquistar]

Te amo sin saber cómo, ni cuándo, ni de dónde,
Te amo directamente sin problemas ni orgullo:
Así te amo porque no sé amar de otra manera.

[e seduzir]

Je t’aime sans savoir comment, ni quand, ni d’où,
Je t’aime directement sans problèmes ni orgueil;
Je t’aime ainsi car je ne sais aimer autrement.

[e mesmo brigando]

Dich liebe ich ohne zu wissen, wie noch wann oder woher,
Dich lieb ich unmittelbar, problemlos, ohne Stolz:
Ich liebe dich so, weil ich anders zu lieben nicht verstehe.

[te amo]

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~trecho do 17º poema do livro “Cem Sonetos de Amor”, de Pablo Neruda;
- as delicadas mãos de Federico Erra;
- e Sigur Ròs.

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Update:

Durante um almoço, eu e minha prima discutíamos porque algumas línguas parecem ter surgido predestinadas a serem usadas durante a conquista, o sexo ou mesmo em brigas. A lembrança desta conversa, somada ao livro na cabeceira da cama, a música certa e uma taça de vinho nas mãos fez nascer o post. Eu sei o que parece, mas não é.

little things

Jesse - “Acho que escrever aquele livro foi como construir algo que me impedisse de esquecer o tempo de passamos juntos. Algo que me lembrasse que realmente estivemos juntos. Que foi verdade, que aconteceu mesmo.”

Celine - “Fico feliz que você diga isso, porque sempre sinto que sou anormal por não conseguir seguir em frente. As pessoas têm um caso, ou até relacionamentos, terminam e esquecem tudo. Mudam como trocam de marca de cereal. Sinto que não esqueço as pessoas com as quais estive porque cada uma tem qualidades específicas. Não dá para substituir ninguém.

O que foi perdido está perdido. Cada relacionamento que termina me magoa. Nunca me recupero. Por isso, tenho cuidado quando me envolvo com alguém, porque dói demais. Eu evito até transar porque vou sentir saudades de coisas mundanas daquela pessoa.
Tenho obsessão com pequenas coisas. Talvez eu seja louca, mas, quando eu era menina minha mãe me disse que eu sempre chegava atrasada à escola. Um dia, ela me seguiu para saber o motivo. Eu ficava vendo as castanhas caírem das árvores e rolarem na calçada ou as formigas atravessarem a rua ou a sombra de uma folha num tronco de árvore. Coisas pequenas. Acho que com gente é igual. Vejo pequenos detalhes específicos de cada coisa que me comovem e sinto saudades deles depois. Não se pode substituir ninguém porque todo mundo é uma soma de pequenos e belos detalhes. Lembro que a sua barba tem fios avermelhados e que o sol os fez brilhar naquela manhã, um pouco antes de você partir. Lembrei disso, e senti saudades.”

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~trecho do filme Before Sunset
- Porque revi o filme neste fim de semana e senti saudades;
- Porque realmente sua barba tem fios de outras cores;
- e porque a trilha é excelente, ouça: A Waltz For A Night

deixe-me

“Eu vou porque a tua beleza descortina a minha imensa feiúra. Eu vou porque teu perfume me enfeitiça docilmente. Porque ainda existe algum sentido em mim antes do afogamento. Porque outras mulheres e outros homens eu quero amar. Porque por outros homens e outras mulheres eu quero ser amado. Porque o amor não se basta. Porque só o amor não é o bastante. Porque você nunca achou que fosse amor. Porque eu nunca soube amar.”

~trecho do texto “Speechless“, de Egídio La Pasta Jr.
(Não hesite. Leia todo.)

Hoje recebi por email a melhor dica da semana, quiçá do mês: um dos posts do Egídio La Pasta Jr. na Revista Paradoxo.

Sabe aquela coisa de ler um texto que só poderia ser escrito se o cara conhecesse sua história? Pois então. Li e imediatamente senti os pêlos da nuca se eriçarem e o coração sufocar de medo. Toda a concentração no que eu estava fazendo desapareceu. Eu só conseguia ler e reler tentando encontrar por trás daquelas palavras algum amigo muito íntimo brincando com um pseudónimo que eu desconhecia. Quem sabe..

Não era. Busquei mais e caí no texto que cito o trecho, e depois outros, e depois o blog e então foi orgásmico.
Quem conhecê-lo pode avisar que eu caso, viu?! A menos, claro, que ele já seja casado, então eu passo. Não gosto dessas folias.

ninguém

- Sabe a garota do copo d’água?
- Sei.
- Se parece distante talvez seja porque está pensando em alguém.
- Em alguém do quadro?
- Não. Um garoto com quem cruzou em algum lugar e sentiu que eram parecidos.
- Em outros termos: prefere imaginar uma relação com alguém ausente a criar laços com os que estão presentes.
- Ao contrário. Talvez tente arrumar a bagunça da vida dos outros.
- E ela? E a bagunça na vida dela? Quem vai pôr ordem?

~trecho do filme Le Fabuleux destin d’Amélie Poulain
Quadro “Almoço dos remadores”, de Renoir, 1881

at my skin

- Jamie loves you. You have so much!
- I know! I see it all around me, but it stops at my skin. I can’t let it inside. It’s always been like that. It’s always gonna be like that…

~trecho do filme Shortbus.
O filme inteiro é uma bosta! Não recomendo de jeito nenhum. Este foi o único trecho de que gostei. Identificação, talvez…

{the book thief}

“Doido ou não, Rudy sempre esteve destinado a ser o melhor amigo de Liesel. Uma bolada de neve na cara é, com certeza, o começo perfeito de uma amizade duradoura.
Dias depois do início das aulas, Liesel começou a ir à escola com os Steiner. A mãe de Rudy, Barbara, o fez prometer andar junto com a menina nova, principalmente por ter ouvido falar da bolada de neve. A favor de Rudy, verdade seja dita, ele ficou feliz em obedecer. Não tinha nada daquele tipo de garotinho misógino. Gostava muito de meninas e gostava de Liesel (daí a bolada de neve). Na verdade, Rudy Steiner era um daqueles cretininhos audaciosos que gostam de se engraçar com as mocinhas. Toda infância parece ter exatamente um desses jovens em seu meio e suas brumas. É o garoto que se recusa a temer o sexo oposto, puramente porque todos os outros abraçam esse medo, e é o tipo que não teme tomar decisões. Nesse caro, Rudy já se decidira a respeito de Liesel Meminger.”

~trecho de A Menina que Roubava Livros - Markus Zusak,p. 47.

Observações pertinentes:
- O livro é contado pela Morte (sem spoilers. Está na contracapa) e ela tem um “quê” da personalidade da Morte, de Neil Gaiman. Adorei ter percebido isso.
- Minha infância teve um desses meninos tempestivos. Entrou na minha vida quando eu tinha 9 anos e nunca mais saiu. Durante anos consegui escapar entre seus dedos e hoje somos várias coisas, além de amigos.
- É o típico livro que de tão interessante me rouba as poucas horas de sono que disponho. Tudo bem. São livros como este que alimentam esta categoria.

Enzo Rubino conseguiu capturar tanto êxtase juvenil nesta foto…

coffee and cream

He was my cream, and I was his coffee - And when you poured us together, it was something..

~trecho da biografia de Josephine Baker